Realidade
Nua
Crua
Desconcertante
Desagregante
Dos desvalidos
Dos desumanos
Denegada
Dissociada
Mascarada
Fragilizada
Insana
Estereotipada
“Dia-bólica”
(de Nancy Fonseca)
| A Tua Voz de Primavera Manto de seda azul, o céu reflete Quanta alegria na minha alma vai! Tenho os meus lábios úmidos: tomai A flor e o mel que a vida nos promete! Sinfonia de luz meu corpo não repete O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai! Iguala o sol que sempre às ondas cai, Sem que a visão dos poentes se complete! Meus pequeninos seios cor-de-rosa, Se os roça ou prende a tua mão nervosa, Têm a firmeza elástica dos gamos... Para os teus beijos, sensual, flori! E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, Só me exalto e sou linda para ti! Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" |
(A uma icógnita... ) |
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| O Amor e o Tempo Pela montanha alcantilada Todos quatro em alegre companhia, O Amor, o Tempo, a minha Amada E eu subíamos um dia. Da minha Amada no gentil semblante Já se viam indícios de cansaço; O Amor passava-nos adiante E o Tempo acelerava o passo. — «Amor! Amor! mais devagar! Não corras tanto assim, que tão ligeira Não pode com certeza caminhar A minha doce companheira!» Súbito, o Amor e o Tempo, combinados, Abrem as asas trémulas ao vento... — «Porque voais assim tão apressados? Onde vos dirigis?» — Nesse momento, Volta-se o Amor e diz com azedume: — «Tende paciência, amigos meus! Eu sempre tive este costume De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus! (António Feijó, in 'Sol de Inverno') |


